domingo, 21 de junho de 2026

 

                     O Som da Cidade. 

Há muito tempo o som da cidade deixou de ser predominantemente composto pelo canto dos pássaros, pelos vendedores ambulantes anunciando seus produtos, pelas crianças brincando e gritando alegremente nas ruas ou pelo ocasional veículo motorizado que passava em intervalos espaçados.


Nos dias atuais, diante da correria para cumprir horários e compromissos, raramente paramos para perceber qual é o verdadeiro som que domina os espaços urbanos. Nas áreas estritamente residenciais, em princípio, os ruídos tendem a ser menos intensos, embora sejam marcados por sons diversos: uma obra em andamento, cães atentos a qualquer movimento ou, no máximo, algum morador animado ouvindo música em volume elevado em sua caixa de som portátil.


Já nas áreas comerciais, é natural que exista uma maior intensidade sonora em razão da circulação constante de pessoas, do tráfego de veículos e do funcionamento de máquinas e equipamentos ligados ao comércio e aos serviços.


Independentemente da origem, a legislação brasileira estabelece limites e critérios para a emissão de ruídos em áreas habitadas. Isso ocorre porque o excesso de ruído é reconhecido como um fator prejudicial à saúde e ao sossego público.


E sim, o ruído excessivo e persistente faz mal à saúde. A exposição a sons intensos pode provocar a contração das artérias, a dilatação das pupilas, a tensão muscular, o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. Em situações mais severas, pode causar tremores, dificuldades respiratórias, espasmos estomacais, dores de cabeça, úlceras e alterações neurológicas.


A qualidade de vida em qualquer ambiente está diretamente relacionada à sua paisagem sonora. Diante disso, vale uma reflexão: qual é o som predominante da cidade atual?


Conforme seu cotidiano, faça  um exercício simples de observação, procurando identificar quais são os ruídos predominantes nos diferentes locais da cidade. - Observe quais sons fazem você interromper uma conversa e com que frequência isso acontece. Ao caminhar ou transitar por áreas comerciais, perceba quais ruídos influenciam positiva ou negativamente o seu conforto. Em sua casa ou nos espaços públicos que costuma frequentar, identifique quais sons considera agradáveis e quais julga invasivos, capazes de ultrapassar os limites da sua privacidade, por meio das ondas sonoras, sem o seu consentimento.


Talvez você descubra que o som mais presente na cidade não seja aquele que escolheu ouvir, mas aquele que aprendeu a suportar.

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