quinta-feira, 10 de outubro de 2024

VELOZES E INCAPAZES

Velozes e Incapazes Todos sabemos que os seres humanos, por mais atléticos que tentamos ser, desenvolvemos uma velocidade máxima de apenas 20 a 30 km/h, por curtíssimo tempo e naturalmente por isso, nossos reflexos e ângulo de visão foram adaptados a enfrentar o inesperado pelo caminho, nessa mesma velocidade. Mas sobre as rodas ou asas dos diferentes veículos que orgulhosamente criamos, podemos aplicar velocidades muito superiores, no entanto, é natural que quanto maior a velocidade, mais incapazes nos tornamos sobre o controle de ações eventualmente inesperadas. Parte disso está por trás dos motivos que levou a obrigação dos motoristas respeitarem um limite de velocidade de 40 km/h ou até menos, em vias urbanas, ou próximo a uma escola, por exemplo. Quanto mais velocidade imprimimos em nossos veículos, mais nosso raio de visão periférica reduz, e menos tempo de reação dispomos, potencializando os riscos. Não é por acaso que o excesso de velocidade é a principal causa de sinistros de trânsito graves no Brasil. Graves porque a velocidade tem uma relação exponencial com a gravidade do impacto. Um eventual atropelamento em uma via urbana, a uma velocidade de 30 km/h, o risco de morte ou lesão grave em uma pessoa é de 10%, a 40 km/h, esse mesmo risco salta para 30% e a 60 km/h, chega a 98%. E mesmo que nossos reflexos funcionem perfeitamente e em tempo, o espaço linear mínimo necessário para evitar a colisão é de 14 metros quando a 30 km/h, 26 metros a 40 km/h e de 62 metros a 60 km/h. Também em razão disso que muitas políticas públicas de planejamento das vias, baseadas no objetivo de zero mortes no trânsito e que nenhuma morte é aceitável, estão assumindo que eventualmente ou quase sempre existirão motivos que levam nossas reações a falhar, e portanto, as consequências é que precisam ser minimizadas ou evitadas. Uma senhora que precisa fazer a travessia de uma movimentada rua em que a velocidade máxima é de 60 km/h, não pode pagar com a vida, pelo fato de ter errado um passo. Respeitar os limites de velocidade da via pode adicionar apenas alguns segundos ou poucos minutos no seu deslocamento, criando uma certa monotonia diante da nossa correria do dia a dia, mas passe a observar na sua cidade, diante do seu volante e velocímetro, o quanto pode estar criando ambientes de risco, apenas por ultrapassar meros 5 ou 10 km/h a mais da velocidade permitida. Ainda podendo potencializar a promoção desse risco agregando a velocidade com o manuseio do celular. Porém no trânsito, todo sinistro envolve um conjunto de responsabilidades, portanto, a realidade descrita não depende apenas do respeito a velocidade por parte dos motoristas, mas também é crucial que a regulamentação de velocidades apropriadas para o real ambiente da via, assim como a necessidade de implementação de infraestruturas de sinalização e de formato de vias que desencoraje os motoristas a praticarem maiores velocidades. Não podemos esperar apenas arranhões em sinistros ocorridos nas vias com faixas de rolamento amplas, semáforos sincronizados e sem redutores de velocidade, por mais que a sinalização indique apenas 30 km/h.

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