Velozes e Incapazes
Todos sabemos que os seres humanos, por mais atléticos que tentamos ser,
desenvolvemos uma velocidade máxima de apenas 20 a 30 km/h, por curtíssimo tempo
e naturalmente por isso, nossos reflexos e ângulo de visão foram adaptados a
enfrentar o inesperado pelo caminho, nessa mesma velocidade. Mas sobre as rodas
ou asas dos diferentes veículos que orgulhosamente criamos, podemos aplicar
velocidades muito superiores, no entanto, é natural que quanto maior a
velocidade, mais incapazes nos tornamos sobre o controle de ações eventualmente
inesperadas. Parte disso está por trás dos motivos que levou a obrigação dos
motoristas respeitarem um limite de velocidade de 40 km/h ou até menos, em vias
urbanas, ou próximo a uma escola, por exemplo. Quanto mais velocidade imprimimos
em nossos veículos, mais nosso raio de visão periférica reduz, e menos tempo de
reação dispomos, potencializando os riscos. Não é por acaso que o excesso de
velocidade é a principal causa de sinistros de trânsito graves no Brasil. Graves
porque a velocidade tem uma relação exponencial com a gravidade do impacto. Um
eventual atropelamento em uma via urbana, a uma velocidade de 30 km/h, o risco
de morte ou lesão grave em uma pessoa é de 10%, a 40 km/h, esse mesmo risco
salta para 30% e a 60 km/h, chega a 98%. E mesmo que nossos reflexos funcionem
perfeitamente e em tempo, o espaço linear mínimo necessário para evitar a
colisão é de 14 metros quando a 30 km/h, 26 metros a 40 km/h e de 62 metros a 60
km/h. Também em razão disso que muitas políticas públicas de planejamento das
vias, baseadas no objetivo de zero mortes no trânsito e que nenhuma morte é
aceitável, estão assumindo que eventualmente ou quase sempre existirão motivos
que levam nossas reações a falhar, e portanto, as consequências é que precisam
ser minimizadas ou evitadas. Uma senhora que precisa fazer a travessia de uma
movimentada rua em que a velocidade máxima é de 60 km/h, não pode pagar com a
vida, pelo fato de ter errado um passo. Respeitar os limites de velocidade da
via pode adicionar apenas alguns segundos ou poucos minutos no seu deslocamento,
criando uma certa monotonia diante da nossa correria do dia a dia, mas passe a
observar na sua cidade, diante do seu volante e velocímetro, o quanto pode estar
criando ambientes de risco, apenas por ultrapassar meros 5 ou 10 km/h a mais da
velocidade permitida. Ainda podendo potencializar a promoção desse risco
agregando a velocidade com o manuseio do celular. Porém no trânsito, todo
sinistro envolve um conjunto de responsabilidades, portanto, a realidade
descrita não depende apenas do respeito a velocidade por parte dos motoristas,
mas também é crucial que a regulamentação de velocidades apropriadas para o real
ambiente da via, assim como a necessidade de implementação de infraestruturas de
sinalização e de formato de vias que desencoraje os motoristas a praticarem
maiores velocidades. Não podemos esperar apenas arranhões em sinistros ocorridos
nas vias com faixas de rolamento amplas, semáforos sincronizados e sem redutores
de velocidade, por mais que a sinalização indique apenas 30 km/h.
quinta-feira, 10 de outubro de 2024
VELOZES E INCAPAZES
Velozes e Incapazes
Todos sabemos que os seres humanos, por mais atléticos que tentamos ser,
desenvolvemos uma velocidade máxima de apenas 20 a 30 km/h, por curtíssimo tempo
e naturalmente por isso, nossos reflexos e ângulo de visão foram adaptados a
enfrentar o inesperado pelo caminho, nessa mesma velocidade. Mas sobre as rodas
ou asas dos diferentes veículos que orgulhosamente criamos, podemos aplicar
velocidades muito superiores, no entanto, é natural que quanto maior a
velocidade, mais incapazes nos tornamos sobre o controle de ações eventualmente
inesperadas. Parte disso está por trás dos motivos que levou a obrigação dos
motoristas respeitarem um limite de velocidade de 40 km/h ou até menos, em vias
urbanas, ou próximo a uma escola, por exemplo. Quanto mais velocidade imprimimos
em nossos veículos, mais nosso raio de visão periférica reduz, e menos tempo de
reação dispomos, potencializando os riscos. Não é por acaso que o excesso de
velocidade é a principal causa de sinistros de trânsito graves no Brasil. Graves
porque a velocidade tem uma relação exponencial com a gravidade do impacto. Um
eventual atropelamento em uma via urbana, a uma velocidade de 30 km/h, o risco
de morte ou lesão grave em uma pessoa é de 10%, a 40 km/h, esse mesmo risco
salta para 30% e a 60 km/h, chega a 98%. E mesmo que nossos reflexos funcionem
perfeitamente e em tempo, o espaço linear mínimo necessário para evitar a
colisão é de 14 metros quando a 30 km/h, 26 metros a 40 km/h e de 62 metros a 60
km/h. Também em razão disso que muitas políticas públicas de planejamento das
vias, baseadas no objetivo de zero mortes no trânsito e que nenhuma morte é
aceitável, estão assumindo que eventualmente ou quase sempre existirão motivos
que levam nossas reações a falhar, e portanto, as consequências é que precisam
ser minimizadas ou evitadas. Uma senhora que precisa fazer a travessia de uma
movimentada rua em que a velocidade máxima é de 60 km/h, não pode pagar com a
vida, pelo fato de ter errado um passo. Respeitar os limites de velocidade da
via pode adicionar apenas alguns segundos ou poucos minutos no seu deslocamento,
criando uma certa monotonia diante da nossa correria do dia a dia, mas passe a
observar na sua cidade, diante do seu volante e velocímetro, o quanto pode estar
criando ambientes de risco, apenas por ultrapassar meros 5 ou 10 km/h a mais da
velocidade permitida. Ainda podendo potencializar a promoção desse risco
agregando a velocidade com o manuseio do celular. Porém no trânsito, todo
sinistro envolve um conjunto de responsabilidades, portanto, a realidade
descrita não depende apenas do respeito a velocidade por parte dos motoristas,
mas também é crucial que a regulamentação de velocidades apropriadas para o real
ambiente da via, assim como a necessidade de implementação de infraestruturas de
sinalização e de formato de vias que desencoraje os motoristas a praticarem
maiores velocidades. Não podemos esperar apenas arranhões em sinistros ocorridos
nas vias com faixas de rolamento amplas, semáforos sincronizados e sem redutores
de velocidade, por mais que a sinalização indique apenas 30 km/h.
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